quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pablito querido – parte 3

Oi meu querido!
Como estás? Já estás com seis ou sete meses, é isso? Eu vou acompanhando essa parte do teu crescimento, mas confesso que, como no nascimento do teu primo, a gravidez é essencialmente uma experiência para a mãe e o bebê. O pai não sente nada do que a mãe sente, os nossos hormônios continuam na normalidade da rotina masculina deles, continuamos com a mesma incapacidade de entender a mulher – ainda mais agora que nem ela entende algumas reações exacerbadas pelos hormônios enlouquecidos pelo bebe (imagina, se antes não era fácil, durante a gravidez é Indiana Jones style) – continuamos com a mesma vontade de não trabalhar, de ir ver os amigos, de jogar bola ou ver futebol na TV (eu dispenso essa parte), enquanto a mãe vive essa experiência de ter um feto e depois um bebê dentro dela. Não sei como é para os outros pais, mas para mim a vida começou quando o teu primo apareceu aqui fora, para grande desespero da tua tia.

Mas vamos às informações privilegiadas sobre os teus avós! Isso mesmo. Teus avós!

Ahh, esses avós que farão tudo para destruir metodicamente todo e qualquer conceito de educação pré-pseudo-planejada que os teus pais terão preparado (ou não). Acho que é uma vingança por tudo o que nós lhes fizemos passar quando éramos pequenos. Mas é isso. Eles vão te cobrir de presentes, fazer todas as tuas vontades, vão te amar à exaustão, como se tentassem viver uma segunda paternidade, compensando o que têm a certeza que não puderam fazer para os teus pais. Olha só, estes avós vão ser os teus aliados, ok? Não briga com eles de jeito nenhum, porque no dia que decidires verificar a teoria de resistência dos materiais com o carro da mãe ou o computador do pai, eles serão a Suíça! Isso mesmo. Vão te abrigar, mimar muito e ainda por cima dar dinheiro e chocolate. Eles são assim mesmo. Mais amor incondicional. A única diferença é que vais dividir essa atenção com os teus outros primos doidos. Mas desses falaremos mais tarde. Entre os avós, vais ter experiências diferentes. Para uns vais ser o primeiro neto e para outros vais ser o primeiro neto do ultimo filho. Ou seja, serás primeiro sempre! Imagina a responsabilidade. Essa fonte é inesgotável. Como terás a sorte de nascer numa família multicultural, os teus avós serão os melhores representantes das tuas raízes riquíssimas e coloridas. E a sabedoria, sim, muita. Por mais que os teus pais e tios por vezes possam discordar, nada do que eles digam vai equiparar a experiência que eles têm. Lembra-te que eles são responsáveis pelo que somos também, não é? Ás vezes eu pensa que eles devem pensar que conseguiram “demais” fazer de nós o que queriam! :D Há que ser coerente ;)
Beijo grande, meu amor